PORTUGAL - O UNIVERSO PARALELO PELA GRUTA DA MOEDA

July 10, 2018

 

Fugindo um pouco dos lugares triviais de Portugal, cheguei até a Gruta da Moeda. Santo Google, agradeço a ele e todos os blogs de viagem  que assim como o Passaporte com Pimenta se dedicam a descobrir lugares novos e relatar as melhores dicas.

A experiência foi incomparável, imaginar que bem debaixo dos meus pés existia um lugar como aquele. Nem nos meus sonhos mais malucos (te garanto, tenho muitos) eu sonharia com aquilo.

 

Primeiro de tudo, não sou muito fã de entrar debaixo da terra. Tive uma experiência no Chile, onde conheci uma mina de carvão que me deixou um pouco tensa. Mas, depois da gruta, mudei de opinião e andar por baixo da terra pode ser interessante.

Descemos 45 metros de profundidade. Uma estrutura impecável, caminhos e iluminação para ninguém passar perrengue.

 

 

Gruta da Moeda

Muito bem preservado, o primeiro pedido foi: não tocar em nada! Já lá dentro viemos a descobrir e entender o motivo do pedido. A gordura da mão cria uma mancha preta na formação, impedindo o crescimento das estalactites e estalagmites. São elas que fazem desse lugar algo tão especial.

 

Gruta da Moeda

 

A guia nos mostrou que infelizmente tem muito turista (pode xingar?) que não respeita. E ataca com as suas mãozinhas nervosas.

Mas aqui todo mundo é sensato não é mesmo? Podemos continuar o tour com as mãozinhas para trás?

A gruta não tem nenhum tipo de iluminação natural, para que nós turistas possamos viver a experiência é necessário 2.000 lâmpadas para nos conduzir pelos 350 metros de percurso.

 

A formação de uma gruta depende do trabalho químico e mecânico das águas subterrâneas e propriedades físicas do terreno. Como química nunca foi meu forte, precisei do auxílio de uma fonte para escrever esse post. Todas as informações sobre as formações foram retiradas do próprio site da Gruta da Moeda
 
 

 

Ao entrar na Gruta, mais um aviso da guia: usem a criatividade!

Use e abuse dela, aqui você não será julgado e ninguém vai te acusar de ter usado drogas. Jacaré, tubarão, pastor, cúpula, presépio, tudo isso com um pouco de imaginação é possível visualizar nas formações que até parecem terem sido esculpidas à mão.

Encontre o jacaré na foto abaixo?

 

 

Lá fomos nós, caminhar por um universo inimaginável para muitos. A guia que nos acompanhou era tão tranquila quanto aquele lugar. Lentamente foi nos explicando como tudo aquilo se formou e ainda se forma. Uma gruta em constante mudança, aos nossos olhos quase impossível notar a diferença, mas ela está.

 

“A gruta não é produto de um fenómeno estático. Tem o seu nascimento e evolução até alcançar a maturidade, quando entra em processo destrutivo até desaparecer.”

Ao longo daquela difícil explicação (para uma aluna que matou as aulas de química) eu desliguei o botão: reações químicas, e acionei o: admirar cada detalhe!

 

Com esse botão acionado, somando a minha altíssima criatividade, consegui enxergar um universo paralelo lá dentro, o jacaré, tubarão, pastor entre outros foram fáceis de identificar. É como você olhar para o céu em um dia cheio de nuvem e brincar de imaginar com o que elas se parecem? As formas ganham vida, e a silhueta de cada uma delas te levam para um novo cenário que está dentro da sua cabeça, já o cenário do vizinho, pode ser completamente diferente.

 

A iluminação, o som da água gotejando e o som artificial que soavam das caixinhas de som quase me fizeram flutuar de tão zen que eu estava. E a cada novo caminhar, a guia nos chamava para a terra: atenção com o degrau.

Fomos descendo aos poucos, ainda no alto era possível olhar lá embaixo entre as fendas que abriram na terra. Lá de cima parecerá impossível chegar lá.

Lá embaixo, o que já parecia incrível ficou ainda mais inexplicável. Inclinamos a cabeça para o alto, inúmeras estalactites. Diferentes tamanhos, formas e grossura.

 

 

 

As estalactite são as mais frequentes. Começam a sua formação no teto e vão formando uma coluna até chegar ao chão.

A razão de crescimento destas estalactites tubulares varia de local para local e de época para época, mas, segundo estudos realizados em diversas partes do mundo, o crescimento anual é da ordem de 0,3 mm

Olhamos ao nosso redor e mais inúmeras estalagmites.  

A água que goteja do teto de uma gruta ao chegar ao solo começa a formar uma estalagmite.

 

Ambas tendem a se unir (se nenhum babaca colocar a mão nelas) quando uma estalactite alcança a estalagmite forma-se uma coluna. Você pode imaginar quantos anos leva para se formar uma coluna?

 

Gruta da Moeda

Estalactite e estalagmites, dão vida para a gruta. De diferentes tamanhos, olhamos um espaço repleto delas, umas descem do teto, outras sobem do chão, umas são retas, já outras um pouco tortas e a pergunta que não quer calar: será que elas vão se encontrar e formar uma bela coluna? Algumas já conseguem provar que sim, falta muito pouco para se unirem, mas talvez não estejamos mais vivos para ver isso. Já outras, vão levar milhares de anos para chegar lá.

 

 

Em um determinando momento, todas as luzes se apagam, para que a gente possa sentir o espaço. Não se enxerga nada, o sentimento é de paz (mais uma vez), o silêncio toma conta da gruta e no fundo apenas o som das águas que escorrem por lá. Em seguida, com ajuda do meu celular, a guia ilumina o local e então uma surpresa. Como se estivessemos em uma mina de diamante, para onde a lanterna apontava um brilho intenso, como uma pedra preciosa, vimos a gruta de uma outra maneira: escura e brilhante. O silêncio vai embora, e as expressões de surpresa tomam conta do grupo. Estávamos diante de um verdadeiro tesouro.

 

O local foi descoberto a menos de 50 anos, por dois caçadores que perseguiam uma raposa e movidos pela curiosidade encontram a gruta. Para nós, em pleno séc. XXI, a Gruta só tem acesso de carro, estando 7 km de Fátima, 15 Km do Monastério de Batalha e 128 km de Lisboa.

 

Nós só agradecemos pela preservação desse espaço e dando a oportunidade de viver essa experiência paralela admirável.

 

FONTE: PASSAPORTE COM PIMENTA

 

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