Como escolher a mochila de viagem ideal

August 10, 2018

Mesmo depois de procurar muito pela internet e pelas lojas da cidade, eu levei cerca de dois meses para enfim escolher a mochila de viagem que me acompanhou pela América do Sul. Quando decidi que era ‘o dia’ da compra, passei pelo menos uma hora na loja. Olhava os modelos e a qualidade dos acabamentos, testava os zíperes e os compartimentos, colocava peso, verificava o ataque das presilhas. Fui extremamente cuidadosa. Eu queria ter a certeza de estar escolhendo uma mochila de viagem confortável e que pudesse acompanhar minhas aventuras pelos próximos anos.

 

Todo o esforço valeu a pena, e eu tive uma experiência incrível de viagem. Foram 25 dias carregando minha pequena casa com 9 Kg nas costas, desde o Brasil e por mais três países. Com direito a muita escadaria e vários metros de altitude. Escolher a mochila certa para meu corpo e meu estilo de viagem foi com certeza o melhor investimento que eu já fiz na minha vida viajante!

 

Mochila ou mala?

 

Depende da viagem e do seu estilo de viagem, sempre. Para as viagens longas e que envolvem muitos deslocamentos, especialmente quando é preciso usar transporte público e caminhar pelas ruas da cidade, a mochila aparece como a melhor opção. Ela te dá liberdade e versatilidade. E te salva do inconveniente de arrastar uma mala de rodinhas por ruas esburacadas ou escada acima.

 

Por outro lado, a mala convencional é uma boa opção quando você não pretende fazer muitos deslocamentos. Ou ainda viajar para locais com maior estrutura e por um tempo muito curto. Para viagens que você precisa de um guarda-roupa mais formal e ‘no capricho’, a mala ganha com certeza. E para as pessoas com problemas nas costas, a escolha da mala é uma decisão de saúde.

 

Você é organizado?
 

Arrumar mala é bem mais fácil que arrumar uma mochila de viagem, podem acreditar. Saber o que levar e como distribuir tudo na bagagem é um fator importante na hora de decidir entre mochila ou mala. Nem todo mundo domina a arte de fazer tudo caber direitinho dentro de um mochilão. É preciso distribuir peso igualmente, e deixar itens importantes sempre fáceis de achar e retirar. Eu sou muito ruim nessa hora, e se eu tivesse que arrumar meu mochilão sozinha, ia passar maus bocados a cada viagem. Por sorte, Rafael é o mestre da organização de bagagem, e sempre me salva 😀

 

Outro fator que ajuda muito um mochileiro é sua capacidade de ‘viajar leve’. Escolha sabiamente o que vai levar, afinal cada coisa que você colocar na mochila é um peso a mais para levar nas costas… Levou algum tempo, mas hoje posso dizer que sou uma viajante minimalista, e viajo apenas com o essencial. Para viagens mais longas, me planejo considerando lugares onde vou usar lavanderia, por exemplo. Já embarquei para viagens curtas apenas com uma mochila pequena, dessas de dia-a-dia. Adoro a sensação de desembarcar e ir embora, sem precisar esperar a bagagem na esteira.

 

A mala quase nunca é minha escolha porque eu gosto de ter as mãos livres e mobilidade. Mas já precisei de uma mala ‘bem grande’ quando fui morar por uns meses numa região fria. Então, sempre depende da situação e do seu estilo. Não é o tipo de mala que faz de você um viajante, é a vontade de partir 😉

 

Como escolher a mochila de viagem ideal

 

Tem mochila de todo preço e tamanho no mercado. Na hora de escolher a sua, tem alguns fatores que você precisa levar em consideração.

 

– Litragem. A maior parte dos modelos de mochilas de viagem varia entre 35-80L. Mas atenção: aqui não vale a regra do quanto maior, melhor! Não fique tentando a comprar o maior modelo de mochila, se você não precisa de todo esse espaço. Ou se você não tem capacidade de carregá-la com conforto e segurança. Na hora de escolher, procure um modelo compatível com o tamanho do seu corpo, associado com a sua necessidade de espaço (duração e tipo da viagem).

E qual seria o tamanho ideal da sua mochila de viagem?
 

O tamanho ideal é aquele que comporta tudo que você precisa, sendo proporcional ao tamanho do seu corpo, amigo viajante. O recomendável é que a carga não ultrapasse mais que 1/3 do seu peso. Uma pessoa de 55Kg e baixa estatura  nunca vai se sentir confortável carregando um mochilão gigante de 80L.

 

Para quem viaja com pouca bagagem: em viagens curtas, as mochilas de menor capacidade (35-40L) são suficientes. A maioria dos viajantes (eu, inclusive) opta por um modelo entre 50-65L, que serve também para viagens de longa duração.

 

Escolhi um modelo de 50L + 10L de expansão, e tive ótima experiência em viagens de 15 e 25 dias – com direito a levar bota de trilha e casaco de neve.

 

Os mochileiros que precisam carregar material de acampamento geralmente escolhem modelos maiores. Nesses casos, modelos de 70L costumam atender bem, mantendo o conforto. Modelos maiores são extremamente grandes e difíceis de carregar, o que pode gerar uma experiência bem ruim para o viajante.

 

Ah, e nunca viaje com a mochila abarrotada. Deixe algum espaço sobrando como garantia, caso você ganhe ou compre alguma coisa na viagem.

 
Quanto vale a litragem das mochilas em kg?

 

É difícil precisar, porque depende do volume das coisas que você vai carregar.

 

Sacos de dormir, por exemplo, ocupam bastante espaço, mas tem pouco peso. Como o que você vai carregar é decisão unicamente sua, não existe uma fórmula precisa para conversão de litros em quilos.

 

Alguns poucos fabricantes colocam na etiqueta uma estimativa do peso máximo suportado pela mochila. Para esse cálculo, eles se baseiam no material da mochila e em uma pequena fórmula genérica: cada 5L equivale a 1Kg de peso. Dessa forma, uma mochila de 35L suportaria até 7Kg, e uma de 75L, cerca de 15Kg.

 

Minha mochila de 50L, cheia, geralmente pesa em torno de 10Kg, o que está de acordo com esse cálculo. Mas isso não é definitivo, porque já conseguir empacotar até 13Kg com uma boa arrumação (thanks, Rafa!).

 

O que procurar em uma boa mochila de viagem?

 

Mochilas de viagem não são nada baratas. Na hora de escolher, meu conselho é investir em um modelo de qualidade, que vai te acompanhar por muitos anos, países e aventuras. E o que você deve levar em consideração na hora de escolher a mochila ideal?

 

– Abertura de carregamento frontal. Minha primeira mochila de viagem era alta e cilíndrica, e a única abertura para o compartimento principal ficava na parte superior. Grande erro. A gente só percebe a importância de ter uma abertura frontal quando a única coisa que você precisa na mochila está lá, embaixo de tudo. As aberturas frontais ajudam na organização e evitam o sofrimento de tirar tudo até encontrar o que você precisa.

 

– Compartimentos e divisões. Organização é primordial para um mochileiro. E para organizar bem, você vai precisar de vários compartimentos internos. Verifique se o modelo que você está comprando tem divisórias que atendem a sua necessidade. Utilizo esses bolsos internos para roupa íntima, maquiagem, produtos de higiene, e para ir separando a roupa suja. Compartimentos, bolsões ou tiras externas também são úteis para carregar ‘itens sujos’, como bota de caminhada ou toalhas úmidas.

 

– Estruturas de suporte para as costas. A mochila vai ser sua maior parceira. Vocês vão passar horas juntos, e o conforto é muito importante para manter a estabilidade dessa relação. Procure uma mochila com quadro de suporte interno para as costas, e suporte lombar anatômico. Um diferencial interessante é ter o tecido das costas feito em material que favoreça a evaporação do suor. A estrutura de suporte para as costas é uma ajuda e tanto para a distribuição do peso, melhora sua postura e aumenta o tempo e a carga que você vai suportar.

Conforto é essencial!

 

– Alças e presilhas. A sua mochila foi idealizada para levar bastante carga, mas você não deve sofrer com isso. Procure por modelos com alças acolchoadas e ajustáveis, tanto no quadril quanto nos ombros. Uma alça no peito também ajuda a melhor distribuir o peso. Além disso, preste atenção à amarração das presilhas. Em uma mochila corretamente ajustada, o peso recai principalmente sobre o quadril, e não nos ombros. O ajuste correto vai distribuir melhor o peso e evitar machucados.

 

– Impermeabilidade. Sua mochila não precisa ser 100% à prova d’água. Mas comprar uma mochila de viagem com um material razoavelmente resistente à água é um ótimo negócio. Pense que você vai viajar para lugares em temporada de chuvas, ou vai ser pego desprevenido por uma chuva de verão. Algumas mochilas vêm com uma ‘capa de chuva’ embutida, que serve como uma proteção extra. Para quem optou por um modelo sem capa, é possível comprar capas de forma avulsa, e revestir a mochila. E claro que, no desespero, qualquer saco grande serve de proteção, haha.

Ah, mesmo sem chuva, eu sempre viajo com a capa, para proteger a mochila da sujeira e do manuseio ‘sempre cuidadoso’ nos aeroportos.

 

– Segurança. Um grande diferencial é a possibilidade de trancar seus pertences dentro da mochila de viagem. Verifique se a mochila tem zíperes que você pode sobrepor e fechar com um cadeado de segurança. Isso é fundamental para quem precisa despachar a bagagem, ou deixar a mala desacompanhada em um quarto coletivo de hostel, por exemplo. No caso de viagens internacionais, especialmente para os Estados Unidos, dê preferência aos modelos de cadeados certificados pela TSA, o departamento de transportes dos EUA. Isso evita que seu cadeado seja arrombado ou sua mochila danificada na abertura (cadeados TSA são abertos com uma chave-mestra pelos agentes do aeroporto).

Itens opcionais

 

– Mochila de ataque. Mochila de ataque é aquela mochila menor, que você vai usar nos passeios, enquanto sua mochila de viagem fica no hotel. Na hora de despachar a mochila no avião, ter uma mochila menor para levar documentos, dinheiro e eletrônicos também é essencial. Alguns modelos de mochila de viagem vem com uma mochila de ataque acoplada, mas esse não é um item essencial, já que qualquer mochila menor pode exercer a mesma função. Por outro lado, a mochila de ataque acoplada pode servir como expansão. A minha mochila de 50L tem uma mochila de ataque de 10L que, quando acoplada, oferece uma expansão que vem a calhar na hora de voltar pra casa com alguma comprinha de viagem.

 

– Correias de compressão. Quando a mochila está mais vazia, você pode usar as correias para compactar a mochila e evitar que as coisas se movam no interior. Isso diminui o volume final, facilita o transporte e, até permite que uma mochila grande possa ser levada dentro da cabine (dimensão / peso da bagagem de cabine varia entre as companhias aéreas).

 
Comprar pela internet ou em loja física?

 

Eu sei, o investimento em uma mochila de viagem é alto, e é difícil resistir aos descontos da internet. Mas eu preferi comprar em uma loja física, para ter uma real experiência com a mochila antes de fechar o negócio. Assim, eu pude testar todos os compartimentos, verificar alças e presilhas, e testar a mochila nas costas.

 

Geralmente, as lojas oferecem pesos para você sentir a acomodação da mochila em uma simulação de carga. Nesse caso, preencha a mochila com uma carga intensa (cerca de 15Kg), e experimente colocar nas costas e sentir como ela se encaixa no seu corpo. Só compre quando você se sentir de fato confortável.

 

Uma boa alternativa para quem quer economizar: vá até a loja, faça todos os testes e escolha o seu modelo. Então volte pra casa e procure o melhor preço pela internet 😉

 

Nossas mochilas de viagem:

 

Rafael: Mochila de Trekking Forclaz 50 L Quechua (R$280,00)

 Pontos positivos: Uma mochila simples, leve e funcional. Vazia, pesa 1,7 kg e tem as dimensões de A 62 x L 32 x P 24. Desde o começo achei a mochila resistente e confortável. Já foi testada em viagens de média e longa duração, suportando até 13Kg de carga máxima com conforto. A mochila tem abertura superior e frontal, alças com espuma e tira regulável no peito, além de reforço nas costas. Com garantia de 10 anos, o modelo dá bastante segurança na qualidade do acabamento, zíperes e costuras.

 

Pontos negativos: O tecido (100% poliéster) não é resistente à água, e a mochila não vem com capa de chuva. Também não dá para trancar a mochila com cadeado, porque a abertura superior não tem zíper, só o cordão de ajuste. Para resolver essas questões, comprei uma sacola de transporte impermeável, que serve de proteção e permite o uso de cadeado. Não acompanha mochila de ataque.

 

Klécia: Mochila de Trekking Escape 50 L +10 L Quechua (R$550,00)
 

Pontos positivos: Como tive problemas de ajuste com mochilas no passado, agora optei por um modelo feminino, pensado para se encaixar melhor no corpo da mulher. Vazia, pesa 2,26 Kg, e tem reforços acolchoados nas alças de ombro e de quadril. Com abertura frontal, zíperes de abertura total e estrutura reforçada, minha mochila abre como uma mala, e não como uma mochila convencional.

 

Isso é excelente para minha pouca capacidade de organização. As costas reforçadas são revestidas com material que favorece a evaporação.

 

A mochila tem duas aberturas do compartimento principal, o que ajuda na hora de retirar itens. E fora esses, tem vários outros compartimentos. É tanto bolso que nem sei o que colocar em todos eles. A capa de chuva está incluída, e se converte em cargobag para transportar a mochila no avião. A ‘tampa’ da mochila se converte em mochila de ataque, para uso diário ou extensão de capacidade (+10L). Garantia de 10 anos.

 

Pontos negativos: A alça de transporte da cargobag são tiras de poliéster, o que é pouco anatômico. Chega a machucar a mão quando o mochilão está bem pesado. Dá pra ajustar colocando uma adaptação de espuma. Da mesma forma, as alças da mochila de ataque são tiras de poliéster, podendo deixar a mochila desconfortável quando usada nas costas – preferi usá-la transpassada no peito.

 
Mochila de ataque: Mochila de trilha Arpenaz Quechua (10 L – R$30,00 e 20 L – R$60,00).
 

Temos duas mochilas de ataque, para usar de acordo com a necessidade de viagem. Escolhemos uma de 10L para pequenas saídas e trilhas, e um modelo de 20L para jornadas de dia inteiro.

 

Pontos positivos: Os dois modelos são bem parecidos: material resistente e flexível, fácil de dobrar e transportar dentro do mochilão. As duas mochilas tem puxadores nos zíperes, alças confortáveis e ajustáveis.

 

 

 

Apenas a mochila de 20L tem alça ajustável no peito e na cintura e espumas extras nas alças de ombro. Por isso, ela é um pouco mais confortável. As duas são mochilas simples, sem estrutura de reforço nas costas, mas que atendem bem. Garantia de 10 anos.

 

Pontos negativos: Nenhuma das duas mochilas tem bolsos internos, o que dificulta a organização. A única divisão é um pequeno bolso externo, que é bem difícil de acessar quando a mochila está cheia.

 

A mochila de 10L comporta bem pouca coisa. É difícil sair com ela com o equipamento fotográfico ou com uma garrafa de água maior, por exemplo.

 

Fonte: fuiserviajante

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